Esses últimos 15 dias passei num processo muito interessante, a proposta era colaborar num mutirão de alfabetização de adultos. Cheguei com muita perspectiva. Nem cheguei perto... muito mais fantástico do que eu poderia imaginar. Eu vi companheiros e companheiras trabalharem o dia inteiro na roça, se organizando, passando privações, chegarem a noite, todos cansados, só para estudar. Aprender a ler e escrever. As vezes o objetivo era apenas aprender a assinar o próprio nome.
VITÓRIA!
Essa barreira já vencemos. Todos já assinam seus nomes. Também leem e escrevem. Com dificuldade, mas já leem e escrevem em 2 meses de trabalho. Isso me faz refletir muito sobre dedicação... dedicação ao objetivo de avançar nas condições de melhoria de vida da humanidade. Um processo lento de humanização da sociedade. E aprender a ler e escrever o mundo é um passo importante para avançarmos. Apesar do cansaço exaustivo do trabalho, as privações do cotidiano, as opressões e repressões dessa sociedade dividida em classes, gêneros e "raças". Apesar do que já passamos, do que estamos passando e do que vamos passar, a marcha é continua e segue sempre em frente.
Precisamos estar dedicados a vitória assim como esses companheiros e companheiras estão dedicados a aprender a assinar seus nomes, ler e escrever a história do mundo como protagonistas nesse complexo processo. Minha dedicação foi posta em cheque... me renovei...
A sensação que tive nessa história? Essa...
Será musicada
Quando a marcha
Armada
Se pôr as ruas
Num levante
Revolucionário
E cada tomada
Dos espaços
Que outrora nos foram roubados
Será declamada
Como poesias
Vivas
Que lembram
Nossas histórias
E cada uma
De nossas vitórias
Será dançada
Num baile de alegria
E cheio de amor
E solidariedade
Mas para tudo isso
Também seremos
Alvejados
Tombados
Nosso sangue
Vai irrigar a terra
E a dor e a saudade
Vai apertar nossos peitos
Nas noites frias das batalhas
Nessas noites
Que passaremos frio
Nessas manhãs
Que sentiremos fome
Nessas tardes
Que sentiremos saudades
Nossos inimigos estarão
Aquecidos
Empanturrados
E cheios de si
Em suas pomposas casas
Achando que nossas privações
Nos fazem fracos
Inocentes!
Não sabem de nada!
Foram justamente essas privações
Que nos forjaram
Somos filhos da fome
E o frio fez nossa carne mais forte
E a saudade fez nossos corações
Inabaláveis
E quando nossos inimigos
Verem que nada impede nossa marcha
Nem crimes
Nem maldades
Nem calamidades
Olharão estarrecidos
Milhares marchando
Sorrisos estampados
Dançando todos
Alegres
E encorajados
Guerreiros das Massas
Declamando
Dançando
Sorrindo
Cantando
Marchando felizes
Sempre para a frente
Por que a vitória
Essa eles sabem
Que já não tarda.
