segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Reflexões... mais um pedaço de uma parte...

Cada dia é uma nova experiência. E tem dias mais intensos que outros. Meus últimos dias foram desses.
Esses últimos 15 dias passei num processo muito interessante, a proposta era colaborar num mutirão de alfabetização de adultos. Cheguei com muita perspectiva. Nem cheguei perto... muito mais fantástico do que eu poderia imaginar. Eu vi companheiros e companheiras trabalharem o dia inteiro na roça, se organizando, passando privações, chegarem a noite, todos cansados, só para estudar. Aprender a ler e escrever. As vezes o objetivo era apenas aprender a assinar o próprio nome.
VITÓRIA!
Essa barreira já vencemos. Todos já assinam seus nomes. Também leem e escrevem. Com dificuldade, mas já leem e escrevem em 2 meses de trabalho. Isso me faz refletir muito sobre dedicação... dedicação ao objetivo de avançar nas condições de melhoria de vida da humanidade. Um processo lento de humanização da sociedade. E aprender a ler e escrever o mundo é um passo importante para avançarmos. Apesar do cansaço exaustivo do trabalho, as privações do cotidiano, as opressões e repressões dessa sociedade dividida em classes, gêneros e  "raças". Apesar do que já passamos, do que estamos passando e do que vamos passar, a marcha é continua e segue sempre em frente.
Precisamos estar dedicados a vitória assim como esses companheiros e companheiras estão dedicados a aprender a assinar seus nomes, ler e escrever a história do mundo como protagonistas nesse complexo processo. Minha dedicação foi posta em cheque... me renovei...
A sensação que tive nessa história? Essa...


Será musicada
Quando a marcha
Armada
Se pôr as ruas
Num levante
Revolucionário

E cada tomada
Dos espaços
Que outrora nos foram roubados
Será declamada
Como poesias
Vivas
Que lembram
Nossas histórias

E cada uma
De nossas vitórias
Será dançada
Num baile de alegria
E cheio de amor
E solidariedade

Mas para tudo isso
Também seremos
Alvejados
Tombados
Nosso sangue
Vai irrigar a terra
E a dor e a saudade
Vai apertar nossos peitos
Nas noites frias das batalhas

Nessas noites
Que passaremos frio
Nessas manhãs
Que sentiremos fome
Nessas tardes
Que sentiremos saudades
Nossos inimigos estarão
Aquecidos
Empanturrados
E cheios de si
Em suas pomposas casas
Achando que nossas privações
Nos fazem fracos

Inocentes!
Não sabem de nada!
Foram justamente essas privações
Que nos forjaram
Somos filhos da fome
E o frio fez nossa carne mais forte
E a saudade fez nossos corações
Inabaláveis

E quando nossos inimigos
Verem que nada impede nossa marcha
Nem crimes
Nem maldades
Nem calamidades
Olharão estarrecidos
Milhares marchando
Sorrisos estampados
Dançando todos
Alegres
E encorajados

Guerreiros das Massas
Declamando
Dançando
Sorrindo
Cantando
Marchando felizes
Sempre para a frente
Por que a vitória
Essa eles sabem
Que já não tarda.

Reflexões... o inicio...

   Esses últimos dias foram de muitas experiencias, tantas que nem cabem no papel. Ainda vou ficar muito tempo digerindo tudo que vi, senti e vivi nesses dias. Viver tão perto do povo e entrar em suas casas e casos é um banho de realidade e um tapa forte bem no meio da cara. Pois bem, estou de banho tomado e com uma marca roxa bem no meio da minha cara. Ainda por muito tempo vou refleti sobre todas essas coisas que vi e vivi, e estou muito feliz com isso, muito mesmo. A experiência é um combustível maravilho para nossas ideias... e é justamente sobre ideias que eu queria começar a falar, afinal tudo começa com ideias, não é isso?



 A ideia nasce
De outras
Ideias
Que outras pessoas
Tiveram
Observando
As ideias
Que
O Outro
Deixou.



   O movimento é bem esse. A gente observa, assimila, analisa, sintetiza e faz a ação. Começa no Outro quando observamos. Continua no Outro quando assimilamos, analisamos, e sintetizamos, por que o parâmetro para ainda é o Outro. E tem sequencia ainda no Outro, a ação gera novos observadores, com novas reflexões, analises, ações. E é assim que as ideias fazem seus caminhos, de Outro em Outro.  

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Foices Negras



   Quando eu resolvi ser Camponês ninguém entendeu nada. Eu também não entendi nada. Tinha visto uma mistica dos Sem Terrinha e fiquei encantado. Era bonito demais. Coisa linda que me levou as lágrimas. "Eu quero ser isso". Foi a primeira coisas que me veio a cabeça, lembro perfeitamente disso. Mas "ser o que?"... Sem Terrinha não dava mais tempo, já era meio cascudo nessa época, sabe. Tinha que ser Sem Terrão, como me disse um Sem Terrinha num acampamento certa vez: "Se eu sou Sem Terrinha, você é Sem Terrão". Mas de fato não sabia exatamente o que tinha sido aquela opção.
E foi no exercício de tentar ser que eu fui descobri o que era. Fui morar na roça. Que bacana! Plantei, colhi, fiz buraco com a cavadeira, capinei. UFFFFAAAA! Cansa... cansa de verdade, mas é bom. Foi uma experiencia muito gratificante. Mas ainda não era bem isso... fui ocupar terra. Ajudei a fazer trabalho de base, ajudar a organizar o povo. Conheci um bocado de guerreiros e guerreiras. Nossa! Quanta gente! Quebramos cadeados, arrebentamos cercas. Que sensação boa é essa! Certa vez ouvi a história de um companheiro de luta que dizia: "Ocupar terra é a coisa que eu mais gosto de fazer na minha vida!". É como um vício! Peguei gosto pelo povo.
   Bem... essa história não acabou, esta bem em processo. Ainda estou tentando saber que troço é esse de Camponês que eu inventei de ser. To até estudando pra saber do que se trata. Só aparecem mais dúvidas... MEU DEUS!
   Mas o que eu quero falar nesse espaço não é sobre o que é ser Camponês. Não se trata se existe ou se já esta instinto. Se é bonito ou se é feio. Quero falar aqui desse processo. Seja lá o que for o Camponês ele é alguma coisa. E só é alguma coisa por que tem identidade. Tem história. Tem memória. Só existe por que lembramos.

   E nós lembramos!

   Esse é um poema em homenagem aos Companheiros de Campos dos Goytacazes. Terrinha linda de meu deus! Homenagem aos companheiros que fazem esse esforço de lembrar. Resgatar a história de quem foi pra manter viva a história de quem ainda esta.


Foices Negras

Ontem
Marcharam
Ombro a Ombro
Lado a lado
Companheiros
Carroceiros
Padeiros
Sapateiros
Postalistas

Hoje
Camponeses
Lado a lado
Companheiros
Ombro a ombro

Com suas 
Foices Negras
Rasgam as cercas
Abrem trincheiras

Carregando 
O fardo da História
Com o vigor de quem chega
E a viva lembrança
Dos Companheiros
Carroceiros
Padeiros
Sapateiros
Postalistas

Diego Fraga (Splinter) - em 29/05/2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Por que não???


   A muito tempo nãos escrevia nada nesse espaço... apesar de não ter deixado de escrever, ora com mais constância e esmero e ora nunca. Recentemente voltei a escrever, e até que saíram bastante coisas, não que todas sejam boas ou aproveitáveis, longe disso, nem é essa a proposta. O fato é que voltei a escrever, tava precisando de uma válvula de escape, e a poesia é isso, né, uma espécie de torneira que sai da cabeça da gente e da vazão a todo tipo de devaneio, loucura e alucinação. Minha analista me indicou que escrevesse, seria bom para não acumular e ficar pesado de carregar, e como ela sempre me diz "Você tem que ser fluido!". Bem... não é sempre que se pode ser fluido nessa concretude louca que é a realidade, mas sempre se acha um jeito na utopia e no lúdico...

   O fato é que voltei a escrever... Por que não?

   Essa poesia é de uma série que vem saindo com constância da minha cabeça, o nome da série é "Para não dizer que só falei de ódio". E a poesia, a poesia, essa não tem nome...

A alegria
É só o jeito
Que deu o sorriso
De amar

Ai ele fica livre
Solto
Largo
Brilhoso

Em cada
Rosto
Um sorriso mais bonito
E mais novo

É tanto sorriso
Diferente
Que até
Meu sorriso
Faz gosto 

Diego Fraga (Splinter) - 18/08/2014

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Ponto


O Ponto olha
E de seus olhos herdados
Partem as partes já olhadas
Todas elas juntas
Formando um ponto
Que se olha no espelho
Vendo apenas as roupas que o vestem. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vitória Parcial: Pericia 1X0 Família Batista

Nessa mundo onde o dinheiro compra de tudo, me surpreendo vendo que nem tudo ta sendo comprado. Eike e seu pequeno principezinho foram desmascarados, finalmente, de todas as suas mentiras fantasiosas, dessa vez nem toda a grana do homem mais rico do Brasil foi suficiente para abafar os desmandos e imprudências desse garotinho mimado. Nessa caso algumas coisas me surpreenderam, e não foram as verdades terem vindo a tona, não, dessa vez não foi isso, o que mais me impressionou é ter passado na globo, mídia mais vendida que qualquer puta da 21, e isso depois do grande nariz de tucano( reservando as analogias), Luciano Huck, ter ido prontamente em defesa de seu amiguinho de classe, e isso antes mesmo de ter qualquer evidencia. Somando a isso o mais impressionante mesmo foi a pericia da PM do Rio, que diga-se de passagem é praticamente segurança particular do senhor do porto, pelo menos é isso que vemos aqui na região do Açú com todas essas desapropriações, e mesmo assim a pericia ignorou a grana, os favores ao governo do estado, o relacionamento extremamente duvidoso entre Eike e Cabral, e fez o que deveria: esfregar na cara do pequeno principezinho Batista suas mentiras fantasiosas e denunciar suas imprudências e inconsequência. Agora eu espero continuar me impressionando com essa história e ver o filhinho do todo poderoso Eike Batista ir em cana, por que seria algo verdadeiramente impressionante ver um milionário, se bá bilionário, ser preso, ainda mais por ter matado um TRABALHADOR, NEGRO E POBRE. Se eu puder ver isso acho que já posso morrer....

Informação completa sobre o assunto: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2012/05/12/pericia-aponta-mentira-de-thor-imprudencia-de-luciano-huck-444776.asp

terça-feira, 6 de março de 2012

O conto de fadas midiático

Esta aqui um otimo exemplo de como somos privados das importantes informações a nivel mundial, e de como essas informações são alteradas tendenciosamente para nos manter submissos e alienados!

http://altamiroborges.blogspot.com/2012/03/midia-tem-saudades-de-boris-yeltsin.html

Contra esses absurdos fica cada vez mais evidente o papel de fomentadores de informação, saber o que ta rolando na real é um passo importantíssimo para a emancipação dos povo.