sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Foices Negras



   Quando eu resolvi ser Camponês ninguém entendeu nada. Eu também não entendi nada. Tinha visto uma mistica dos Sem Terrinha e fiquei encantado. Era bonito demais. Coisa linda que me levou as lágrimas. "Eu quero ser isso". Foi a primeira coisas que me veio a cabeça, lembro perfeitamente disso. Mas "ser o que?"... Sem Terrinha não dava mais tempo, já era meio cascudo nessa época, sabe. Tinha que ser Sem Terrão, como me disse um Sem Terrinha num acampamento certa vez: "Se eu sou Sem Terrinha, você é Sem Terrão". Mas de fato não sabia exatamente o que tinha sido aquela opção.
E foi no exercício de tentar ser que eu fui descobri o que era. Fui morar na roça. Que bacana! Plantei, colhi, fiz buraco com a cavadeira, capinei. UFFFFAAAA! Cansa... cansa de verdade, mas é bom. Foi uma experiencia muito gratificante. Mas ainda não era bem isso... fui ocupar terra. Ajudei a fazer trabalho de base, ajudar a organizar o povo. Conheci um bocado de guerreiros e guerreiras. Nossa! Quanta gente! Quebramos cadeados, arrebentamos cercas. Que sensação boa é essa! Certa vez ouvi a história de um companheiro de luta que dizia: "Ocupar terra é a coisa que eu mais gosto de fazer na minha vida!". É como um vício! Peguei gosto pelo povo.
   Bem... essa história não acabou, esta bem em processo. Ainda estou tentando saber que troço é esse de Camponês que eu inventei de ser. To até estudando pra saber do que se trata. Só aparecem mais dúvidas... MEU DEUS!
   Mas o que eu quero falar nesse espaço não é sobre o que é ser Camponês. Não se trata se existe ou se já esta instinto. Se é bonito ou se é feio. Quero falar aqui desse processo. Seja lá o que for o Camponês ele é alguma coisa. E só é alguma coisa por que tem identidade. Tem história. Tem memória. Só existe por que lembramos.

   E nós lembramos!

   Esse é um poema em homenagem aos Companheiros de Campos dos Goytacazes. Terrinha linda de meu deus! Homenagem aos companheiros que fazem esse esforço de lembrar. Resgatar a história de quem foi pra manter viva a história de quem ainda esta.


Foices Negras

Ontem
Marcharam
Ombro a Ombro
Lado a lado
Companheiros
Carroceiros
Padeiros
Sapateiros
Postalistas

Hoje
Camponeses
Lado a lado
Companheiros
Ombro a ombro

Com suas 
Foices Negras
Rasgam as cercas
Abrem trincheiras

Carregando 
O fardo da História
Com o vigor de quem chega
E a viva lembrança
Dos Companheiros
Carroceiros
Padeiros
Sapateiros
Postalistas

Diego Fraga (Splinter) - em 29/05/2014

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